O Pot Limit Omaha é, sem dúvidas, a modalidade de poker que mais cresceu em popularidade nos últimos anos, atraindo muitos fãs do No Limit Hold’em com a ação mais intensa nas mesas. Um dos que se apaixonou pela modalidade foi o profissional Francisco Baruffi. Nos últimos quatro anos, ele se dedicou exclusivamente ao Omaha, hoje sendo regular de cash game da modalidade.

No entanto, quando começou a se aprofundar no jogo das quatro cartas, ele precisou enfrentar um grande desafio: a dificuldade em encontrar materiais de qualidade em português. Isso não impediu o desenvolvimento de Baruffi, que investiu tempo e dinheiro em materiais em inglês e viu claramente a evolução no jogo. Pensando na dificuldade que teve para encontrar bons materiais, surgiu a ideia de criar a Academia Brasileira de Omaha (ABPLO).

A escola foi pioneira no país, sendo a primeira a se dedicar exclusivamente ao ensino do Omaha. Contando também com os instrutores Alisson Lindsay e Nathan Aslan, a Academia se tornou referência na área, produzindo, além de um curso de Omaha, diversos conteúdos gratuitos, divulgados em todos os canais da ABPLO (página no Facebook, perfil no Instagram e canal do Youtube).Francisco Baruffi - Academia Brasileira de Omaha

Francisco Baruffi – Academia Brasileira de Omaha

Com o cenário atual do No Limit Hold’em, onde os edges são cada vez menores e mais difíceis de serem alcançados, a ABPLO surge como uma alternativa para quem quer se aventurar numa modalidade com muito mais oportunidades. O SuperPoker conversou com Baruffi para saber mais sobre Academia e a trajetória do profissional no jogo. Confira.

Como foi seu primeiro contato com o poker? Comente sua trajetória no jogo

Eu tive meu primeiro contato com o poker recreativamente aos 19 anos, isso há 14 anos. O primeiro contato acho que foi como todos, em um grupo de amigos, aquelas jantas, uma conversa e um poker. Depois de 3 ou 4 anos jogando recreativamente, eu comecei a intensificar meu volume de jogos em circuitos live, principalmente em jogos cash game.

Minha trajetória mudou quando, nos últimos 4 anos, eu migrei para a modalidade PLO, me dedicando exclusivamente ao estudo e aperfeiçoamento dela. Hoje, aos 33 anos, frequento circuitos live jogando apenas cash game, pois vejo que o egde sobre os jogadores recreativos se sobressai ao alto custo do rake, e jogo online regularmente PLO200 e PLO500.

Sua relação com o Omaha foi amor à primeira vista? O que te interessou no jogo?

Sem dúvidas! Eu me interessei principalmente por duas vertentes: Primeiro o prazer. O que mais me dá prazer no poker é induzir o oponente ao erro, e o Omaha, por sua versatilidade, permite mais possibilidades dessa indução. Você tem mais situações onde consegue representar algo. Acho que a adrenalina rola mais no sangue.

O segundo ponto foi o financeiro. Na minha visão, no Omaha, por sempre ter muita ação e jogarmos com quatro cartas, quem não estuda a modalidade tem a concepção de que a sorte influencia muito mais do que no Hold’em, por exemplo. Juntando isso à memória seletiva dos jogadores, que sempre lembram de grandes vitórias (potes) e não das derrotas, faz com que os jogadores fracos permaneçam no jogo, aumentando a nossa possibilidade de ganhos.
Pot Limit Omaha

Pot Limit Omaha

Mesmo sendo prioritariamente jogador de cash game, quais são seus principais resultados?

Nos últimos anos, minha amostragem de torneios é quase nula, meu foco é total em PLO e como raramente temos torneios de PLO (só em grandes eventos e um ou dois por evento, apenas) eu não disponibilizo tempo pra isso. Até por isso que a grande novidade desse ano da Academia Brasileira de Omaha foi a contratação de dois instrutores novos. Um deles, Allison Lindsay, tem uma ótima linha e desenvolvimento em torneios. Em 2017, por exemplo, em cash game live, fechei o ano com R$ 304 mil de lucro, o que representa 121 buy-ins (de R$ 2.500) no limite que eu jogo. Sobre resultados em torneios, dos poucos que joguei em 2017 tive um deal 3-handed de US$ 30 mil em Iguazu. E quando me dedicava mais a isso, meu resultado mais expressivo foi no LAPT Punta, também um deal 3-handed em que lucrei US$ 116 mil.

Como surgiu a ideia de criar a Academia Brasileira de Omaha?

A ideia surgiu a partir da dificuldade que eu encontrava para conseguir conteúdos de qualidade e em português quando comecei me aperfeiçoar. Foi muito difícil e muito caro buscar informação para Omaha, porém era muito notável que, quanto mais eu estudava e mais me dedicava, maior era a diferença no meu jogo e nos meus resultados.

Vendo que o mercado brasileiro estava crescendo muito e sem informação, vi uma oportunidade ótima em desenvolver a modalidade com qualidade no nosso mercado. Quanto mais praticantes de Omaha, mais evolução, mais crescimento, mais destaque, mais aprendizado, mais oportunidades, mais tudo.

O que você considera ser o diferencial da Academia Brasileira de Omaha?

Sem dúvida, a didática. Além de muito estudar o PLO, eu estudei a maneira que isso devia ser passado a quem está ali na frente, querendo aprender. Fiz muitos coachings e tentei sacar todos os pontos positivos deles e adicionar à Academia para que o aprendizado seja leve e automático. E, claro, focamos muito na qualidade do conteúdo e formato a ser entregue, além do suporte full time para quem nos acompanha.Pot Limit Omaha

Pot Limit Omaha

Qual a importância de aprender o PLO, considerando o cenário de NL Hold’em?

Eu acho que o NL Hold’em está muito masterizado já, os edges são mínimos entre os jogadores, enquanto no PLO tem um grande “mercado”, costumamos dizer que há muito dinheiro solto. São poucas pessoas que estudam e, quando você começa a estudar algo por primeiro, é sempre normal que você tenha mais vantagem nisso por um bom tempo. Eu te responderia essa pergunta com outra: cite pra mim 20 nomes de bons jogadores em NLH no Brasil. Sem dúvida, em poucos minutos você me diz. Agora me cite 20 bons nomes em PLO. Já fica bem mais complicado, né?

Quais são as suas referência no PLO?

No cenário brasileiro, Affif Prado sem dúvida. Ele é um irmão meu, com uma linha de pensamento fora da curva e nós crescemos juntos no meio. Ele é e foi uma referência pra mim, não só no Omaha mas na vida, na maneira de ver as coisas. Sempre acompanhei o Yuri “NerdGuy” Dzivielevski também.

Fora do Brasil acompanhei muita gente, o Fernando “JNandez87” Habbeger foi um deles e também outro Yuri, o “DriveMyNuts”, da Rússia, com o qual vou começar um programa de coach.

Credito: Superpoker.